23.10.17

Talvez tirem de lá o juiz




... por ser mau para o turismo e, portanto, para o défice! 
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Machismo NÃO é justiça, é crime



Convocatória do POR TODAS NÓS - Movimento Feminista e da UMAR.

Lisboa, 6ªf, 27.10, 18:00 – Praça da Figueira 
Porto, 6ªf, 27.10, 18:00 – Praça Amor De Perdição (jardins Da Cordoaria, Em Frente À Antiga Cadeia Da Relação) 

«O juíz José Maria Queirós, titular do 1.º juízo criminal do Porto, condenou Camilo Castelo Branco por ter copulado com mulher casada e Ana Plácido por adultério. Ana Plácido foi encarcerada na Cadeia da Relação a 6 de junho de... 1860.

Se na antiga Cadeia da Relação havia homens e mulheres condenados por comportamentos sexuais pouco consentâneos com a moralidade da época transposta na lei, ali ao lado, no Tribunal da Relação do Porto, 157 anos depois, lavram-se acórdãos que têm como pano de fundo apreciações pessoais sobre a moralidade das mulheres. Pode ler-se no acórdão assinado pelo juiz Neto de Moura e pela juíza Maria Luísa Arantes: «O adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte».

Situemo-nos: estamos em 2017, num país que reconhece a igualdade de género e onde a violência doméstica é crime público. Estes discursos proferidos por membros de órgãos de soberania, ao arrepio da decência e dos valores da imparcialidade e laicidade da justiça, pretendem não só legitimar e/ou desculpabilizar a violência contra as mulheres como reforçar a ideia da dupla moral sexual, uma para homens, outra para mulheres.

Em 2016, segundo dados da APAV, todos os dias 14 mulheres foram agredidas, o que perfaz um total de quase 5200 nesse ano. Mais de 450 mulheres foram assassinadas pelos seus companheiros ou ex-companheiros nos últimos 12 anos. A violência contra as mulheres é crime, assim como o é o machismo.

Esta sexta-feira, às 18 horas, marcaremos presença na rua num ato de repúdio pelas considerações morais machistas que alguns representantes da justiça no exercício das suas funções continuam a proferir, ancorando nelas decisões judiciais. A Bíblia e a moralidade misógina não são para aqui chamadas.

Mantenham os vossos rosários longe da aplicação da lei. Mantenham os vossos rosários longe dos nossos ovários.

Mexeu com uma, mexeu com todas!» 
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Dica (648)



El españolismo (David Torres) 

«Como siempre en España, basta alzar una piedra para que los fanáticos del franquismo aparezcan con el brazo derecho en alto, la bandera del pollo enhiesta y el Cara al sol en los labios. Eso también es un efecto secundario inevitable en un país con las heridas sin cerrar, donde los asesinos que torturaron y violaron en comisarías siguen campando a sus anchas y que guarda la memoria del mayor genocida de su historia en una construcción faraónica, levantada por esclavos y bendecida por la Iglesia.» 
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Violência na Amadora – soma e segue




«De acordo com a acusação, deduzida no passado dia 4 de outubro, a que o DN teve acesso, este processo tem alguns pontos em comum com o caso da acusação aos 18 polícias na esquadra de Alfragide, por tortura, sequestro e agressões, com motivação racista contra seis jovens da Cova da Moura. Além de ter ocorrido também sob o comando da PSP da Amadora, ambas as investigações foram coordenadas pelo procurador da República, coordenador do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) da Amadora, Helder Cordeiro; o tipo de crimes em causa são comuns (agressões e falsos autos de notícia); um dos agentes visado pertence à Esquadra de Intervenção e Fiscalização Policial (EIFP) de Alfragide, onde prestavam serviço a maior parte dos outros 18 polícias acusados em julho passado.» 
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A terrível palavra mas…




José Pacheco Pereira, sobre as manifestações de Sábado:

«Poupem lá os processos de intenção, tão habituais nestes dias de radicalização política, onde é tudo a preto e branco. Condenei sem ambiguidades o modo como o Governo do PS lidou com os incêndios, afirmando a sua responsabilidade no que acontecera e no que acontece, logo no próprio dia dos incêndios, e repeti-o várias vezes. Está no YouTube para os incrédulos. Disse igualmente que, do meu ponto de vista, o modo como o Governo e em particular o primeiro-ministro tinham reagido criava uma fractura com os portugueses difícil de sarar, o que motivou a que me lembrassem que os resultados autárquicos, mesmo em Pedrógão, não mostravam essa fractura e uma sondagem, feita já depois dos incêndios, pela Aximage, mantinha o PS confortavelmente à frente do PSD sem aparentes estragos motivados pela crise dos fogos. Do mesmo modo, não acudiram grandes multidões às manifestações ocorridas no dia 21, nem as que as precederam no dia 18, e os seus motivos não são unívocos.

Mesmo assim, acho que minimizar os dias dos incêndios é o mesmo que levou o primeiro-ministro aos erros clamorosos que cometeu, e é subestimar o efeito traumático dos fogos. Ninguém é intérprete do “sentimento popular” e no fundo é apenas uma opinião, a minha, mas mantenho-me firme nela: o que aconteceu feriu, e bastante, o Governo e feriu “bem” porque, por muito que haja todas as razões estruturais e outras responsabilidades no que aconteceu, o actual Governo teve as suas e bem pesadas.

Mas. Terrível palavra que é o “mas” que serve para tudo, para desculpar, para desculpabilizar, para justificar, mas também para dar racionalidade e para perceber que há mais coisas do que o mundo a preto e branco. Eu não sou muito favorável ao “mas” em questões morais, éticas, ou de princípio, embora saiba que também aí se pode e às vezes se deve usar. Mas, em política democrática, na arte de governar a polis assente na livre expressão da vontade dos seus cidadãos e no primado da lei, o “mas” tem tanto mais sentido quanto ele se torna proscrito nestes dias sem meio-termo.

O problema não está em “politizar” o que aconteceu. Não partilho de uma das heranças sinistras de 48 anos de censura que é a demonização da política, considerando que meter a política nos assuntos é diminui-los. É uma herança da “porca da política” e não contem comigo para alinhar nessa forma de populismo. Na verdade, com excepção de um foro pessoal, personalista, onde não deve entrar ninguém, nem Estado, nem partido, mas apenas a consciência e aquilo em que se acredita, tudo é política. Por isso, na crise dos incêndios, penso que a política é bem-vinda, porque muito do que aconteceu tem directamente que ver com questões que são políticas: a acção do Governo, a autoridade ou a falta dela do Estado, os poderes locais e regionais, a organização dos bombeiros e da Protecção Civil, a propriedade privada em que ninguém quer mexer, a falta de aplicação das leis, o comportamento cívico (ou não) das pessoas, o destino das florestas e da agricultura, o despovoamento e empobrecimento do interior, o envelhecimento da população, o abandono. Nada disto é regido por leis da física, mas por leis humanas, pela acção dos homens.

E acho que é absolutamente normal que os partidos da oposição levantem a sua voz, censurem e protestem, porque o Governo merece ser atacado, sempre que a linha orientadora desses ataques siga as reais responsabilidades da acção do Governo — que, insisto, são muitas — e não ocultem as responsabilidades passadas de quem já governou nestas áreas, incluindo o PS e o actual primeiro-ministro, mas também o PSD e o CDS. Há, aliás, duas linhas sinistras que os unem a todos: uma é que quiseram poupar nesta área; outra é que partidarizaram as estruturas de Protecção Civil e os bombeiros. E todos também aceitaram, em nome dos interesses económicos, a “eucaliptização” do país.

É saudável que este confronto político exista, porque, se for sério, obriga o Governo a também levar mais a sério o que aconteceu e não apenas a fazer o freudiano luto. Porém, não é com inocência que vejo as manifestações destes dias. Elas são muito diferentes umas das outras, como é muito diferente o comportamento dos manifestantes, mas penso que era melhor para a transparência da vida democrática que elas tivessem assinatura, seja por iniciativa, seja por apoio. Hoje, com excepção do PCP, que convocou manifestações em nome partidário, ou o BE, que apoiou e esteve presente em várias manifestações, já há muito tempo que os partidos, seja o PS, seja o PSD, seja o CDS, não assumem paternidade de nenhuma iniciativa, ou publicamente afirmam a sua adesão a uma manifestação, que possa inclusive albergar as suas bandeiras. E não adianta convencer-nos de que a nova forma de espontaneidade política reside nas “redes sociais”, porque também aí há muito engano e manipulação.

Aqui há uma mistura de dolo e de culturas políticas. Os partidos à direita apresentam as causas que apoiam como sendo “nacionais”, “apartidárias” de uma “maioria silenciosa”, e as escassas vezes que vêm para a rua têm sempre estes rótulos (nos últimos anos houve várias, na verdade mais protestos do que manifestações, pelo escasso número de aderentes, como a que ocorreu junto da Assembleia contra a nova maioria parlamentar), ou então participam em causas cujo sucesso depende da presença de forças muito mais “orgânicas”, como é o caso das manifestações dos colégios privados ou “pelo direito à vida”, com um papel importante da Igreja.

As manifestações “apartidárias” ou em que apenas haja bandeiras nacionais têm uma ambiguidade que em democracia se presta a todas as manipulações. Há excepções genuínas e espontâneas, mas são a excepção e não a regra. Na verdade, o que se pretende dizer é que elas traduzem um sentimento “nacional” que está para lá dos partidos e da política, e que, ao ser transcendental em relação a essas realidades, é inquestionável. Depois, quando se vê os cartazes ou as bandeiras (os monárquicos passearam a sua bandeira em Lisboa) ou a dinâmica da manifestação, percebe-se que elas são muito diferentes umas das outras, e algumas menos “nacionais” do que o que pretendem ser.

Os contrastes revelam isso mesmo. No caso de Aveiro, viam-se famílias inteiras em silêncio a marchar, quase sem qualquer metadiscurso, apenas pela força da presença. Em Viana, havia uma prevalência de bandeiras nacionais, mas estas conviveram sem incidentes com uma bandeira antiga e de nacionalistas galegos. A maioria dos cartazes espontâneos partem do “valor” das vidas perdidas e exprimem preocupações ecológicas. Aliás, onde essas preocupações tiveram um grande peso o carácter das manifestações foi menos antigovernamental, como foi o caso do Porto, de Leiria, e mesmo em parte da manifestação de Lisboa, aquela em que a mobilização partidária teve maior peso.

O caso de Lisboa é talvez o mais típico destas ambiguidades. Havia manifestantes ecologistas, defensores dos animais, que também pagaram um preço elevado nos fogos, e genuínas manifestações de protesto e de raiva, inclusive por parte de familiares das vítimas. Porém, o incidente com um pequeno número de militantes do Movimento Alternativa Socialista (MAS) foi revelador. O cartaz do MAS dizia “governos do PS, PSD e CDS culpados!”, o que em bom rigor não é mentira nenhuma. Aliás, não era o único cartaz que dizia a mesma coisa, como aqueles que atacavam a política florestal dos últimos anos, mas não nomeavam os partidos. Se o cartaz fosse um daqueles cartazes populistas, que, aliás, apareceram em várias das manifestações, que criticavam todos os partidos, ou o “sistema democrático”, ou o 25 de Abril, duvido que houvesse incidentes. Não houve incidentes, aliás, com cartazes da extrema-direita que estavam na manifestação, nem, como seria suposto, se o objectivo fosse manter a manifestação “apartidária”, com os que atacavam o PS, a “geringonça” ou António Costa, que abundavam. O cartaz e os manifestantes do MAS, que foram corridos a murro, e tiveram de ter protecção policial, aos gritos de “comunas de merda”, “geringonços”, “ide para a Venezuela”, “vai trabalhar”, respondidos com “fascistas” e “isto aqui não é nenhum comício do PSD”, tem, aliás, a marca destes dias de radicalização, que, essa sim, é mais política do que popular. Na verdade, a “provocação” do MAS foi ter lá escrito PSD e CDS.

Não há nenhuma manifestação “pura”, e é natural que assim seja. Por isso, prefiro que os partidos políticos presentes nas manifestações o façam às claras e não às escondidas.»
(Os realces são meus.) 
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22.10.17

Catalunha – uma sugestão radical




«Following the vote on October 1, King Felipe VI made a rare appearance on national TV. He called on the Catalan government to return to constitutional legality and made no apologies for the terror campaign launched by the national police. Neither did he address his Catalan subjects in their own language.

At that point Felipe stopped being the king of all Spaniards. As relations between Madrid and Barcelona continue to deteriorate, he would do well to consider making the ultimate sacrifice to save his country from itself.

Keeping Catalonia in Spain by taking Spain out of Catalonia is therefore directly tied to making Felipe a regular citizen of the country like everybody else. His abdication would lead to the proclamation of the Third Spanish Republic, to new governments in Madrid and Barcelona, and to a constitutional assembly that could result in the creation of a multi-national federal state where Andalusians, Basques, Canarians, Castilians, Catalans and others could reconcile with their past as they look to reclaim and refashion the old notion of the many Spains, or Las Españas.» 
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Justiça, 2017 - Ler para crer

Dica (647)



El 155 y la inutilidad de tener razón (Juan Carlos Monedero) 

«Vienen tiempos de dolor para Catalunya y para España. La desconfianza crece y nos estamos empezando a faltar al respeto. La sociedad se está rompiendo. Nos hablamos menos y nos insultamos más. Se respira en la calle. El Estado, cuya principal misión es garantizar la cohesión de la ciudadanía, está fracasando. La extrema derecha anda desatada. Los dementes se están normalizando (Pablo Casado le pide ayuda a Santa Teresa, quien si viviera la patearía el trasero por obtuso). Todo por culpa de la peor clase política que se recuerda en democracia. Por fortuna no pueden impedir que se vote. De momento. Porque el PP siempre entendió que si los pueblos se equivocan votando hay que enderezar a los pueblos.»
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22.10.1921 - Brassens


Georges-Charles Brassens nasceu em 22 de Outubro de 1921, num porto de pesca francês banhado pelo Mediterrâneo. Aos 18 anos foi para Paris, regressou às origens quando a capital francesa foi bombardeada em 1940, mas para lá regressou poucos meses depois para mergulhar na leitura de grandes clássicos: Baudelaire, Verlaine, Victor Hugo,…

Ainda durante a guerra, foi forçado a trabalhar numa fábrica na Alemanha, mas acabou por fugir e se manter escondido em Paris até ao fim do conflito. No início dos anos 50 fez umas incursões sem grande sucesso em cafés parisienses, mas foi avançando e, em 1972, viu editados 11 álbuns, acompanhados de um livro com todos os seus textos e poemas.

Com várias doenças pelo meio, acaba por morrer de cancro poucos dias depois de fazer 60 anos.

Entretanto, vai resistindo através de muitas gerações de fãs incondicionais e nunca é dispensável recordá-lo.








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21.10.17

O estado da Nação


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Manifestem-se, mas…


Estão convocadas para esta tarde manifestações com o lema «PORTUGAL CONTRA OS INCÊNDIOS». Acontece que, «contra os incêndios», estamos certamente todos os que não somos incendiários.

Que todos os que vão responder à convocatória tenham coragem de gritar que são CONTRA O GOVERNO, porque é disso que se trata e isso, sim, tem pés para andar e toda a legitimidade em democracia. Espero ouvir logo, numa televisão perto de mim, «Costa, Costa, fora daqui!», como eu própria tantas vezes gritei, por essas ruas e calçadas, com outro nome numa frase semelhante. 
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Seria um crime desperdiçar esta oportunidade



«Todas as catástrofes são lamentáveis. E todas exigem uma liderança determinada por parte dos dirigentes, para uma rápida adopção de medidas para minimizar os danos humanos e materiais. Mas as catástrofes são também, sempre, oportunidades para reconstruir. E para reconstruir de forma tanto mais radical quanto mais destrutivos tiverem sido os seus efeitos. Porque as grandes destruições obrigam a fazer tudo de novo e porque a determinação de todos em encontrar soluções que permitam evitar uma futura catástrofe é tanto maior quanto mais destrutivo tiver sido o efeito da última.

É por isso que, depois dos incêndios dos últimos dias e dos últimos meses e do seu macabro balanço, é o momento de exigir do Estado — do Governo, das autarquias, dos organismos do Estado — que ponha em prática todas as medidas necessárias para evitar que esta tragédia se volte a repetir. Não apenas para evitar que uma vaga de incêndios se salde de novo por este número elevadíssimo de mortos mas, de forma mais radical, para evitar que uma vaga de incêndios desta dimensão possa ocorrer de novo.

Hoje, depois de Pedrógão e depois do 15 de Outubro, existe uma consciência alargada de que algo de muito errado ocorreu em Portugal nas últimas décadas em termos de ordenamento do território, de política florestal, de gestão das florestas, de organização da protecção civil, de prevenção e combate aos incêndios, de fiscalização das florestas, de combate à desertificação do interior, de transferência de conhecimento para os decisores políticos, de formação profissional em todas estas áreas, etc.

Sabemos que todos permitimos que, em todos estes domínios, a situação se degradasse para além do aceitável. E sabemos que não é possível adiar por mais tempo a adopção das medidas necessárias nem a aplicação no terreno dessas medidas. Como sabemos que muitas dessas medidas serão difíceis de pôr em prática e que muitas afectarão interesses particulares. Hoje, os cidadãos portugueses sentem que fomos longe de mais no desleixo e na cedência a interesses ilegítimos e sabem que é necessário fazer alguma coisa.

Seria criminoso que o Governo desperdiçasse esta oportunidade. Seria imperdoável que todas estas vidas perdidas não pudessem pelo menos servir para evitar outras mortes e para resgatar outras vidas. O que a tragédia dos incêndios de 2017 já fez, pela sua dimensão, foi passar uma clara procuração ao Governo para resolver o buraco em que estamos. Uma procuração com carta-branca.

Hoje, depois de Pedrógão e depois do 15 de Outubro, depois de cem mortos e de um país em cinzas, o Governo possui mais do que o necessário apoio popular para tomar medidas radicais eficazes. Hoje não há desculpas para não tomar todas as medidas necessárias para prevenir os fogos, para preservar a floresta, para defender as vidas e o sustento das populações. Pode-se tomar medidas compulsivas de emparcelamento ou fraccionamento onde elas se revelem necessárias, expropriar terrenos onde isso for necessário para criar as infra-estruturas de prevenção e combate aos fogos, pode-se mandar cortar as árvores que se devem cortar, impor a diversificação das espécies onde ela seja aconselhável, restaurar os Serviços Florestais e repor os guardas florestais que faltam, pode-se ordenar o envolvimento das Forças Armadas na vigilância e combate a incêndios, pode lançar-se um programa de envolvimento das populações para a prevenção e combate aos fogos, podem aplicar-se as sanções necessárias a todos os prevaricadores, podem criar-se os corpos de sapadores florestais e de bombeiros profissionais, podem lançar-se medidas fiscais que incentivem a correcta gestão da floresta, podem impor-se responsabilidades de limpeza das matas, podem incluir-se de novo no Estado as responsabilidades que foram criminosamente negligenciadas quando saíram da sua alçada. Não há dinheiro? Até Bruxelas aceirará esse acréscimo ao défice... e sai mais barato que os incêndios.

António Costa pode fazer hoje na floresta o que o marquês de Pombal fez na Baixa e até poderia redesenhar a régua e esquadro as manchas florestais se o quisesse. Nunca voltará a haver outra oportunidade como esta. Seria criminoso (e estúpido) não a aproveitar para desenvolver o país.»

20.10.17

Cristas, a única que ajudou Costa



Daniel Oliveira no Expresso de 20.10.2017 (excerto):

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Dica (646)




«A estátua erguida em 2017 a Vieira podia ter sido encomendada por Salazar. Não surpreende que tenha sido defendida pela extrema-direita. Surpresa é que tenha sido aprovada pelos poderes da democracia sem suscitar escândalo.»
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Estes fogos que nos descarnam...


«Não julguemos, porém, que Portugal tem ignorado o seu território. Acontece é que só tem olhado para o urbano. E tem-no usado intensamente. Como mina a céu aberto. E criou todos os meios para isso. Nuns pares de anos, há poucas décadas, fizeram-se mais de 300 Planos Diretores Municipais, milhares de instrumentos de planeamento territorial inframunicipais, chamados planos de pormenor e planos de urbanização. (…) Ninguém falou de escassez. Todos promoveram a abundância e chafurdaram nela. Câmaras municipais, promotores imobiliários e construtores civis, bancos e profissões técnicas extraíram todas as rendas fundiárias urbanas que havia para extrair. Ninguém ignorou o território. Não faltaram meios nem fins. (…)

Estes fogos apenas descarnaram o país esquelético que fomos criando. Mataram os mais indefesos.»

José Reis 
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Frase Charlie



«Foi uma semana politicamente intensa, se é que alguma coisa pode ter intensidade depois de termos visto mais um incêndio gigantesco e quase meia centena de mortos.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, finalmente, demitiu-se. A frase: "Para mim, pessoalmente, seria o caminho mais fácil. Eu ia-me embora, ia ter as férias que não tive" teve mais peso que todas as tragédias. Houvesse um SIRESP, a funcionar, que alertasse para frases fatais e as sirenes teriam soado bem alto. Enquanto a ministra não teve férias, muitas pessoas ficaram sem trabalho porque as fábricas, em que trabalhavam, arderam. Morreram mais de 100 pessoas, acho que, por mais férias que a ministra tire, nunca mais vai dormir em condições.

Se a ministra esteve mal, Costa esteve pior. Quando, a meio da noite, se esperava que o PM surgisse a pedir desculpa pelo que estava a acontecer e que mostrasse a sua dor e solidariedade para com os que estavam a sofrer, apareceu o António Costa em formato aparelho socialista. Arrogante, desdenhoso. Aliás, eu já estava à espera há algumas horas que o PM aparecesse, até comentei: se calhar, está na altura de aparecer alguém do Governo a dizer qualquer coisa. Se fosse o Marquês de Pombal, já tinha aparecido. Nem que fosse por razões políticas. Ainda aparece a Assunção Cristas a combater o fogo em Gouveia e está ganho.

Depois lá apareceu o PM e Costa parecia aquela boca de incêndio que não deitava água. O discurso de António Costa foi como aquele indivíduo que veio cá arranjar o esquentador, mas nem lhe tocou: "vocês dão cabo destes esquentadores. Deve ser o 'chip', mas depois vem cá um colega ver". v O PM veio dizer que era infantil pedir a demissão do MAI. A seguir ao discurso do PR, a ministra da Administração Interna abandonou o cargo, na sequência dos incêndios, segundo um comunicado do conselho de ministros. A esta hora, está o Costa a ver o Canal Panda.

Acho que as sondagens estão a fazer mal a Costa. Está demasiado relaxado. No meio de uma tragédia, vir dizer "habituem-se", passar parte da culpa para a população e falar da resiliência que é necessária, é todo um novo conceito de Estado. Ainda vão dizer que os populares têm de aprender a defender o paiol de Tancos com ancinhos, etc. A seguir, vamos às urgências com uma apendicite e dão-nos um serrote, agulha e linha. O Estado fica numa postura tipo IKEA, mas nem nos dá o material, e só nos dá as instruções se a TV não estiver a dar bola e o SIRESP funcionar. Por mim, tudo bem, mas ao fim-de-semana vamos todos para a piscina da residência oficial do PM.»

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19.10.17

Nádia Piazza



Ontem, foi transmitida uma verdadeira «Grande Entrevista» da RTP3 a Nádia Piazza que preside à associação das vítimas de Pedrógão. A não perder.

Já pode ser vista AQUI
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19.10.2012 – Dia em que Manuel António Pina se foi embora



Manuel António Pina morreu em 19 de Outubro de 2012 e a memória do que representou, com tudo o que lhe devemos, mantém-se intacta. E como nos fazem falta as suas crónicas, de Segunda a Sexta-Feira!

Tive algum contacto pessoal com ele, em troca de mails, que guardo como tesouros. Eram sempre muito longos, naquilo que o próprio confessava ser uma espécie de «desforra» do espartilho imposto pela limitação do número de caracteres nos textos a serem publicados em jornais. Falava sempre dos gatos e tinha um magnífico sentido de humor. Um dia comentou uma «enorme calinada» que não tinha conseguido corrigir a tempo no texto que enviara umas horas antes para o jornal: «Troquei a Sierra Maestra pela Sierra Madre. Confundi Fidel com Pancho Villa (por quem aliás, tenho, apesar de tudo, mais simpatia do que por Fidel). O dr. Freud teria aqui motivo para um parágrafo na "Psicopatologia da vida quotidiana", eu só tenho vontade para, como quando era miúdo, meter a cabeça debaixo dos cobertores e passar assim o fim-de-semana.»

A ler: uma entrevista que Anabela Mota Ribeiro fez quando MAP tinha 65 anos.

A ver ou rever: o trailer de um excelente filme de Ricardo Espírito Santo.


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O vilipêndio na óptica do vilipendiado



Ricardo Araújo Pereira na Visão de hoje:



Na íntegra AQUI.
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Numa Fnac perto de si


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